Qual a história da famosa cidade de Tiradentes em Minas Gerais?

Roteiro da Estrada Real a cidade de Tiradentes resume a inconfidência mineira e a história da rica cidade mineira.

Um dos locais que faz parte do roteiro da Estrada Real com a cara e a tranquilidade das cidades do interior. As ruas de pedras e paredes cheias de histórias consagram a famosa cidade de Tiradentes em Minas Gerais como um dos polos turísticos mais conhecidos do Brasil.

A cidade de Tiradentes também é famosa pelas suas igrejas, como a Matriz de Santo Antônio. Projetada por Aleijadinho, suas peças carregam grande quantidade de ouro.

Fundada em 1702, quando os paulistas descobriram ouro nas encostas da serra de São José, o arraial foi batizado de “Santo Antônio da Ponta do Morro”.

Com a Proclamação da República, a cidade de Tiradentes recebeu o atual nome para homenagear o alferes Joaquim José da Silva Xavier, representante da Inconfidência Mineira, o que marca a história da cidade.

História de Tiradentes o inconfidente mineiro

Joaquim José da Silva Xavier era filho do reinol Domingos da Silva Santos, proprietário rural, e da brasileira Maria Antônia da Encarnação Xavier, tendo sido o quarto dos sete filhos.

Em 1755, segue com seu pai e irmãos para a sede da Vila de São José, trabalhou como mascate e minerador, tornou-se sócio de uma botica de assistência à pobreza na ponte do Rosário, em Vila Rica, e se dedicou também às práticas farmacêuticas e ao exercício da profissão de dentista, o que lhe valeu a alcunha Tiradentes, um tanto depreciativa.

Com os conhecimentos que adquirira no trabalho de mineração, tornou-se técnico em reconhecimento de terrenos e na exploração dos seus recursos. Foi a partir desse período que Tiradentes começou a se aproximar de grupos que criticavam a exploração.

Insatisfeito por não conseguir promoção na carreira militar, tendo alcançando apenas o posto de alferes, patente inicial do oficialato à época, e por ter perdido a função de comandante da patrulha do Caminho Novo, pediu licença da cavalaria em 1787.

Esse desprezo fez com que aumentasse seu desejo de liberdade para a colônia. De volta às Minas Gerais, começou a pregar em Vila Rica e arredores, a favor da independência mineira.

Organizou um movimento aliado a integrantes do clero e da elite mineira, como Cláudio Manuel da Costa, antigo secretário de governo, Tomás Antônio Gonzaga, ex-ouvidor da comarca, e Inácio José de Alvarenga Peixoto, minerador.

O movimento ganhou reforço ideológico com a independência das colônias estadunidenses e a formação dos Estados Unidos da América.

Ressalta-se que, à época, oito de cada dez alunos brasileiros em Coimbra eram oriundos das Minas Gerais, o que permitiu à elite regional acesso aos ideais liberais que circulavam na Europa.

Ao ser proclamada a República, o governo republicano precisava de um herói que, segundo os novos governantes, representava esses ideais.

A escolha caiu sobre o alferes Joaquim José da Silva Xavier (Tiradentes), que além de tudo combateu um governo monárquico. Dessa feita, foi mudado o nome da cidade para Tiradentes.

Centro Histórico da Cidade Mineira de Tiradentes

A cidade de Tiradentes tornou-se um dos centros históricos da arte barroca do Brasil, ganhando muita importância por ter sido bem preservado, e tornando-se também uma atração turística.

Ainda hoje, a cidade possui muitos exemplos da arquitetura do século XVIII e desponta como uma das mais importantes da época do Brasil Colonial, destacando a história de Tiradentes, como:

  • a Igreja Matriz de Santo Antônio, construída em 1710, sendo a segunda igreja em ouro e uma das mais belas construções barrocas do Brasil.
  • o Sobrado do Aimorés Futebol Clube, na Rua Direita;
  • o Prédio da Prefeitura com suas sacadas de ferro batido e sótão;
  • a casa nº 114 da Rua Padre Toledo, com forros pintados, representado os cinco sentidos;
  • a casa do Largo do Ó nº 1 com forros pintados e três casas com antigas janelas de rótula, na Rua direita.
  • Câmara Municipal, localizada próxima à Matriz, construída em meados do século XVIII, onde era abrigada a administração pública no período colonial e imperial, hoje chamada de Câmara Municipal de Tiradentes;
  • Antiga Cadeia Pública, construída em 1833 e 1845, no local da velha cadeia incendiada, uma construção austera com janelas de cantaria protegida por pesadas grades;
  • Casa da Cultura, construída no século XVIII, onde se encontram os microfilmes de 280.000 documentos do acervo da Arquivo Ultramarino de Portugal e do Brasil Colônia;
  • Ponte sobre o Ribeirão Santo Antônio, que possui duas arcadas romanas, construídas em pedra no final do século XVIII.
  • Monumento a Tiradentes, Localizado no Largo das Forras, construído 1892, quando foi celebrado o aniversário da morte do Alferes.
  • A Capela de Nossa Senhora das Mercês, do final do século XVIII, com um único altar multicolorido, pinturas em estilo rococó, cenas alusivas à Virgem Maria e imagem da padroeira.
  • Capela de Nossa Senhora do Rosário, construída em cantaria (pedra), com três altares de talha de meados do século XVIII e os santos negros São Benedito, Santo Antônio de Cartagerona e Santo Elesbão.
  • Casa do Padre Toledo, hoje transformada em museu, construída no final do século XVIII. Nesta casa morreu Padre Toledo, um dos cabeças da Inconfidência Mineira.
  • Santuário da Santíssima Trindade, construída em 18 de outubro de 1822.

 

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